NO MEIO DA RUA (João Gabriel Furbino)

EM BREVE SERÁ LANÇADO O LIVRO NO MEIO DA RUA , DE JOÃO GABRIEL FURBINO

Para o bom escritor, para o poeta, principalmente, as coisas simples ganham estatuto de luminosidades. Basta “um canto quieto, uma página, o escuro”. E pronto, eis o verso, o poema, que surge desses nadas controversos.

Com sua estreia na literatura, João Gabriel Furbino percebeu que o melhor da vida acontece fora, no mundo aberto. Os melhores poemas perambulam, safados, tristes, solitários, em bando, no meio da rua. Esse poeta novo, esse novo poeta nada mais fez que resgatar esse bando de pássaros.

Poeta de mão cheia, João Gabriel fala, dá a sua versão sobre o mundo, canta sobre “flores da mais alta estatura”, flores que sofrem as agruras do tempo e que, por isso mesmo, tornam-se mais belas, mais sinceras e mais seguras.

João Gabriel é dono de um estilo peculiar. Sua poesia corre solta, transubstanciada, híbrida de vento e amplidão. Esse poeta também escreve sobre a melancolia que escorre das ruas desertas, solitáriasde tudo e todos.

Nos poemas, e em sua prosa poética, este livro fala sobre as evidências que a vida insiste em mostrar e das agruras, do desamor, da paixão-atroz, do ex-amor, “mas sem descuidar do amor”. É bom prestar atenção quando o poeta faz o alerta: “Cuidemos dos nossos desamores.” O autor não gosta das flores fáceis. Existem poemas que fulminam, que queimam “no meio de um meio-dia”. Ele aposta nas cores, nas maravilhas do corpo: “Saudades do tempo em que nossas mãos/desenhavam poemas em nossos corpos.” O poeta também aponta para ruas, para dias que seguem “cinza por dentro e por fora.”

Poetas prezam o contato mais íntimo, isso de olhos nos olhos, esses mistérios.

(*) André di Bernardi, poeta e jornalista

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