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Viver, lutar e morrer

O oitavo conto deste livro empresta seu título à obra. E não é à toa. Viver, lutar e morrer resume quase tudo sobre o modo de vida da população que viveu e vive nas regiões pobres do estado de Minas Gerais. É nesse cenário que os personagens de quase todos os contos vivem suas agruras e seus fascínios.

Partilhando sua vivência de grão-mogolense, Moacir associa suas memórias a histórias ouvidas desde sempre e cria enredos para personagens que experimentaram a sina que dá título ao livro.

O viver – indo do amplo sentido de existir ao de subsistir – consterna-nos com as tramas de personagens marcantes como Antônio Piau, Galdina, donas Geni e Joaninha, Lucas e Sofia; também o Zezinho e o Joãozinho atrás dos sonhos do arco-íris e da literatura.

Já o lutar – com destaque ao sentido de labutar, terçar, trabalhar e também enfrentar, brigar, combater –, é sina de todos os personagens. Para alguns deles, a luta ganha tal relevância em relação ao indivíduo, que o autor lança mão do artifício de não lhes dar nome próprio. Em A Danação da Norma, há a mulher de Vicente; em Brutalidade, o jovem negro; em Presságio, O jovem que queria passagem para a lua e Trágica inauguração, os personagens são apenas jovens, sem nome.

A morte, simples e fria, corporifica a tragédia sempre existente na pobreza latente do sertão mineiro retratado nos contos do Moacir. São mortes que não provocam grandes lamentos; são aceitas com a naturalidade dos que com elas convivem desde muito cedo. O autor mata a maioria de seus personagens, sejam pessoas, animais ou rios. Ou os remete à loucura.

O contraponto desta obra fica por conta do lirismo do Moacir, quando ele observa as flores do seu jardim, as árvores nas ruas da capital e, principalmente, na forma como ele narra como o menino aprecia as nuvens deitado sobre o balcão da loja do seu pai. A humanidade do Moacir se revela por meio das imagens de saíras, ipês, magnólias, rosas e até mesmo dos fícus.

Pela quantidade de personagens meninos, suspeito que há algo de autobiografia nestes contos. Desconfio terem sido de Moacir, algum dia, as dúvidas do Lucas no conto com esse título; o desejo de Joãozinho em ser escritor em O menino que queria ser escritor; o encantamento poético do garoto que observava nuvens em Nuvens e imaginação; a decepção do menino ao provar pêssegos em O pessegueiro da dona Joaninha e o cajueiro da dona Geni... dúvidas, desejos, roubos e sonhos.

Mas a marca principal que envolve todos estes contos é o brado contra as desigualdades sociais, contra a falta de estrutura básica de ensino, que retarda o fim do obscurantismo nas regiões pobres, e a repressão política. No conto Os helicópteros e as pétalas de rosa, destampa-se o inconformismo, e o autor nos conclama a escolher um lado da briga, afirmando não ser possível “acender uma vela para Deus e para o Diabo ao mesmo tempo”.

A formação de historiador deixa marcas no escritor. É frequente a preocupação do Moacir em caracterizar lugar e época em que os fatos narrados ocorrem. Ao situar uma história política belo-horizontina, o cronista se manifesta. 

O desencanto do autor com o atual momento político brasileiro está refletido na dificuldade de se forjar uma cidadania consciente e crítica que fortaleça a crença de solução da desigualdade via democracia. Ele, entretanto, deixa para os leitores a tarefa de encontrar as soluções. 

Moacir nos brinda com esses vinte contos. O que certamente surpreenderá os leitores é seu estilo absolutamente próprio e direto na forma como aborda as situações que narra. Seco, sem rodeios, retrata a vida dura da região onde nasceu, sertão de Minas Gerais.

Seus personagens e suas histórias bem construídas ficarão fixados em nosso imaginário para sempre.

 

Augusto Rodrigues Borges

 

 

 

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